terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Arqueólogos descobrem restos de templo do século 3 a.C.

Entre os objetos que foram resgatados pela expedição estão a figura da deusa Bastet, representada por um gato (na foto)
 
Uma missão arqueológica egípcia descobriu em Alexandria os restos de um templo ptolomaico dedicado à deusa Bastet e pertencente à rainha Berenice, esposa de Ptolomeu 3, cuja construção remonta ao século 3 antes de Cristo.
Segundo um comunicado divulgado hoje pelo Conselho Supremo de Antiguidades egípcio (CSA), a expedição, que foi liderada pelo diretor de Antiguidades do Baixo Egito, Mohammed Abdel Maksoud, também desenterrou 600 diferentes objetos daquela época.

Entre os objetos que foram resgatados pela expedição estão a figura da deusa Bastet, representada por um gato (na foto)
A nota explica que a descoberta foi feita durante escavações rotineiras na região de Kom al-Dikka, na cidade mediterrânea de Alexandria, dentro de um recinto militar.

O secretário do CSA, Zahi Hawas, assegurou que o templo tem dimensões de 60 metros de comprimento por 15 de largura e se estende sob a rua Ismail Fahmi.


Segundo Hawas, a construção foi destruída na última época da era ptolomaica quando usada para construções, o que provocou o desaparecimento de muitos de seus blocos de pedra.
Entre os objetos que foram resgatados pela expedição estão a figura da deusa Bastet, representada por um gato, considerada a deusa da proteção e da maternidade. Isso indica, segundo Maksoud, que o templo era dedicado a essa deusa
.
Maksoud ressaltou que foram encontradas três estátuas de Bastet em diferentes pontos da escavação junto a outras figuras esculpidas em pedra de um menino e uma mulher.
Além disso, foram encontrados potes de barro, estátuas de bronze e louça de diferentes divindades do antigo Egito, além de representações de terracota dos deuses Harpócrates (Horus menino) e Ptah.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cientistas isolam DNA nuclear de Neandertal


Caveira
Homem de Neandertal desapareceu há 29 mil anos
Fonte: BBC Brasil - Aqui


As primeiras sequências do DNA nuclear do homem de Neandertal foram divulgadas em uma conferência científica em Nova York, nos Estados Unidos.

O geneticista Svante Paabo e sua equipe do Instituto de Antropologia Evolucionária Max Planck, em Leipzig, na Alemanha, anunciaram ter isolado longos segmentos do material genético do fóssil de um Neandertal de 45 mil anos de idade, encontrado na Croácia.
A pesquisa deve revelar o quão próxima do homem moderno, o Homo sapiens, era a espécie.

Os detalhes foram publicados pelo site de notícias científicas News@nature e mostram um avanço significativo em relação a pesquisas anteriores, que já haviam extraído DNA mitocondrial do homem de Neandertal (Homo neanderthalensis).

Este material fica na mitocôndria, a estrutura que leva energia às células, e apesar de as informações que ele traz serem bastante úteis, ele é mais limitado em alcance do que o DNA retirado do núcleo das células.
O DNA nuclear é o que realmente dirige a bioquímica do organismo.

Código divergente
Até agora, os cientistas conseguiram decodificar uma sequência de cerca de 1 milhão de pares-base, o que representa 0,03% do genoma do Neandertal. Os pares-base são as unidades de ligações químicas mais simples que mantém junta a hélice dupla do DNA.

As análises preliminares mostram que o cromossomo Y do Neandertal, que determina o sexo masculino no DNA, é bastante diferente do Y dos homens modernos ou dos chimpanzés. A diferença entre esse cromossomo em particular é maior do que entre outros cromossomos no genoma.
Os pares-base também mostram que o Neandertal diverge da linha evolucionária que levou aos humanos modernos há cerca de 315 mil anos.

A conclusão pode sugerir que houve pouco cruzamento entre as espécies.
Os homens de Neandertal viveram na Europa e em partes do oeste e centro da Ásia de 230 mil anos atrás a 29 mil anos atrás.

Não se sabe que fatores levaram a sua extinção, mas mudanças climáticas e a competição de humanos modernos podem ter contribuído para que ele desaparecesse.

Arqueólogos acham casas 'dos construtores do Stonehenge'


Escavação arqueológica perto do Stonehenge (foto: National Geographic)

Vilarejo teria abrigado centenas de casas (foto: National Geographic)
Arqueólogos britânicos disseram ter encontrado um antigo povoado que teria sido usado pelas pessoas que construíram o Stonehenge, o famoso monumento pré-histórico britânico.
Escavações no sítio arqueológico de Durrington Walls, próximo à Planície de Salisbury, onde fica o Stonehenge, revelaram vestígios de casas antigas.
De acordo com os cientistas, a população da época parece ter ocupado as casas por temporadas, para realizar rituais festivos e cerimônias fúnebres.
As moradias são de 2.600 a 2.500 a.C., o mesmo período em que a maior parte do Stonehenge foi construído.
Na era antiga, este povoado teria abrigado centenas de pessoas, o que o tornaria o maior vilarejo britânico neolítico já encontrado.

Entulho
“No local onde estavam as casas, escavamos os contornos no chão de camas e armários de madeira”, afirmou à BBC o arqueólogo Mike Parker Pearson, da Universidade de Sheffield.

Ossos de animais achados próximos ao Stonehenge (foto: National Geographic)
Local teria sido usado para banquetes e rituais (foto: National Geographic)
Os pesquisadores escavaram oito casas do antigo vilarejo, mas conseguiram detectar muitas outras prováveis moradias – possivelmente uma centena – usando um equipamento de geofísica.
Cada casa teria cinco metros quadrados, com um aspecto “meio de prisão”, segundo Pearson.
As casas são feitas de madeira, com chão de argila e um forno central. Arqueólogos encontraram entulhos com mais de 4,6 mil anos de idade.
“É o mais rico – e com isso, quero dizer, o mais sujo – sítio deste período conhecido na Grã-Bretanha”, disse Pearson. “Nunca vimos esta quantidade de cerâmica, ossos de animais e pedra-de-fogo.”
Rituais e festivais
O pesquisador da Universidade de Sheffield não acredita que o local fosse habitado durante todo o ano. Para ele o complexo religioso formado por Stonehenge e Durrington era usado para rituais funerários.
Pearson acredita que, na era neolítica, as pessoas vinham de diversas partes da Grã-Bretanha para grandes festas realizadas no inverno, onde muita comida era consumida. Isso explicaria o número de ossos de animais encontrados no local.
“O entulho achado não é um resto doméstico qualquer. Não há equipamentos de artesanato para limpeza de restos animais e nem de processamento de colheita”, disse.
“Os ossos eram jogados fora meio comidos. É o que chamamos de uma coleção de banquete. Aqui é aonde eles vinham para festejar. Você pode dizer que é o primeiro festival gratuito.”
Outro Stonehenge
O povoado de Durrington também tinha seu próprio monumento semelhante ao Stonehenge, porém feito de madeira, que foi descoberto em 1967.
Os dois monumentos estão alinhados a fenômenos do calendário astronômico. O Stonehenge está alinhado ao pôr-do-sol do solstício de inverno. O de Durrington está alinhado com o amanhecer do solstício de inverno. Segundo Pearson, os monumentos se complementam.

Stonehenge
A função original do Stonehenge ainda é objeto de teorias

Isso se encaixa com a idéia de que os locais eram usados para festivais, que surgiu após a análise de dentes de porcos achados no sítio.
“Uma das coisas que podemos deduzir a partir dos dentes de porcos, é que a maior parte deles (os porcos) foi abatida aos nove meses. E nós acreditamos que as porcas pariram na primavera”, afirmou o pesquisador.
“É provável que houvesse uma seleção de rebanho no inverno, e isso se encaixa com nossa teoria sobre os alinhamentos de solstícios em Durrington e Stonehenge.”
Em uma área separada, o arqueólogo Julian Thomas, da Universidade de Manchester, descobriu outras duas casas neolíticas, cada uma protegida por uma cerca de madeira e uma trincheira.
Mas, ao contrário das casas em Durrington, estas moradias não tinham entulhos.
“Primeiro pensamos que elas haviam sido limpas”, disse Thomas.

Vilarejo encontrado perto de Stonehenge (foto: National Geographic)
Escavações revelam casas rústicas

Porém, pesquisadores acreditam que essas moradias eram mantidas limpas e que teriam abrigado líderes da comunidade, além de sábios, chefes e religiosos. Ou que elas seriam lugares sagrados para rituais.

Cemitério
Pearson especula que Durrington era um local usado para celebrar a vida e depositar no rio os mortos, que seriam transportados para a além-vida, enquanto Stonehenge funcionava como memorial ou até cemitério para alguns dos mortos.
Depois do banquete, afirma Pearson, as pessoas viajavam por uma avenida para depositar os mortos no rio Avon, cujo curso segue em direção ao Stonehenge. Em seguida, elas seguiam por outra avenida, que levava ao monumento de Stonehenge, onde haveria cremação e enterro de outros mortos selecionados.
Stonehenge seria, portanto, um local para adoração dos ancestrais e de comunhão com os espíritos dos mortos. Ele teria sido o maior cemitério da Grã-Bretanha antiga, com cinzas de mais de 250 corpos.

Cientistas encontram provas de massacre em era Neolítica

Fonte: BBC Brasil
12/03/2007



Cemitério pré-histórico
Ossos foram encontrados em cemitério pré-histórico
Exames realizados em ossos encontrados em um cemitério pré-histórico indicam que eles pertenciam à vítimas de um massacre ocorrido na era Neolítica, de acordo com cientistas britânicos.

As descobertas sugerem que o período Neolítico foi mais violento do que se pensava.

Os restos mortais de 14 pessoas haviam sido encontrados nos anos 60 em Wayland’s Smithy, Oxfordshire. Mas tecnologias recentes permitiram que especialistas estabelecessem as datas dos ossos: entre 3590 a.C. e 3560 a.C.

O estudo foi realizado pela organização English Heritage, com ajuda da Universidade de Cardiff e Universidade de Central Lancashire.

Flecha
As vítimas – três delas provavelmente mortas com flechas – podem ter sido assassinadas em disputas por terras ou animais.

“Nós sabemos que uma pessoa foi atingida no abdômen porque encontramos a pequena ponta de uma flecha de pedra incrustada na pélvis”, disse Michael Wysocki, que participou do estudo.

“Nós também sabemos que os corpos de duas pessoas foram parcialmente devorados e desmembrados por cães ou lobos antes que os restos fossem enterrados.”
“Todas essas novas evidências sugerem que o período entre 3625 a.C. e 3590 a.C. pode ter sido de crescente tensão e reviravolta”, disse Wysocki.

“Com essa pesquisa, nós podemos agora pensar no período Neolítico em termos de indivíduos e comunidades e fazer comparações úteis e reveladoras sobre as escolhas e comportamentos no passado remoto”, disse Alex Bayliss, da English Heritage.

Frio pode ter matado últimos homens de Neandertal

Fonte: BBC Brasil
Reportagem - Aqui
21/02/2007



Crânio do homem de Neandertal
Homem de Neandertal viveu há cerca de 35 mil anos
Uma queda brusca na temperatura pode ter sido responsável pela extinção do homem de Neandertal, de acordo com um novo estudo.
Acredita-se que os humanos pré-históricos desapareceram de grande parte da Europa há cerca de 35 mil anos.



Agora, foram encontradas novas evidências em seu refúgio final, no sul da Península Ibérica, indicando que as últimas populações da espécie morreram há 24 mil anos por causa de um período de frio extremo.
O estudo foi realizado por especialistas do Museu de Gibraltar e da Universidade de Granada, na Espanha, e publicado na revista Quaternary Science Reviews.

Amostras retiradas do fundo do mar perto das Ilhas Baleares mostram que, na época, a temperatura média na superfície caiu para 8 graus centígrados. As temperaturas atuais na mesma região variam de 14 até 20 graus.
O evento foi o mais severo que a região vivenciou em mais de 250 mil anos, de acordo com os pesquisadores.
Clima
A mudança no clima teria causado uma seca, reduzindo a água potável e os animais disponíveis aos homens de Neandertal que ainda sobreviviam na área.
"Esse evento parece muito severo e bastante curto", afirmou o professor Clive Finlayson, do Museu de Gibraltar, à BBC. "Coisas como oliveiras e carvalhos conseguiram sobreviver. Mas uma população de neandertais que já estava fragmentada e estressada, e talvez elementos da fauna, não conseguiram."
As causas do resfriamento podem ter sido mudanças cíclicas na posição da Terra em relação ao Sol. Mas uma rara combinação de ar polar viajando rumo ao sul através do Vale do Reno e ar do Saara indo em direção ao norte podem ter contribuído para a situação.
Os mais antigos fósseis encontrados do homem de Neandertal datam de 350 mil anos atrás. Durante seu pico de existência, os neandertais dominavam uma área que ia da Grã-Bretanha e da Península Ibérica, no oeste, até Israel e o Uzbequistão, no leste.
A caverna de Gorham, em Gibraltar, mostra evidências de ter sido ocupada por um grupo de homens de Neandertal há 24 mil anos. Depois disso, os cientistas não encontram mais evidências da existência da espécie.

Copérnico enterrado novamente 467 anos após a sua morte


Astrónomo terá novo funeral

Restos mortais encontrados nos arredores
da catedral de Frombork, Polónia

2009-12-29





Reconstrução facial corresponde a retratos de Copérnico
Reconstrução facial corresponde a retratos de Copérnico

Os ossos do astrónomo polaco, Nicolau Copérnico (1473-1543), foram descobertos há quatro anos por arqueólogos locais, durante escavações nos arredores da catedral de Frombork e, 467 anos após a sua morte, terá um novo funeral, com cerimónia solene agendada para dia 22 de Maio de 2010.


Três anos após a exumação, análises de DNA determinaram que os restos mortais lhe pertenciam e foi esta a hipóteses que corroborou a especialistas forenses que a reconstrução facial do crânio correspondia aos retratos de Copérnico ainda conservados.

Os ossos encontrados serão sepultados debaixo de um dos altares da catedral e, no próximo mês, irão começar os trabalhos para se construir um túmulo de duas toneladas de granito negro. A informação foi dada por um porta-voz eclesiástico da diocese de Ermland, no Nordeste da Polónia.


Astrónomo terá novo funeral
"Agora temos a certeza de que o crânio encontrado em Frombork é o de Nicolau Copérnico", disse a um diário brasileiro o professor Jerzy Gassowski, do Instituto de Arqueologia de Pultusk, que em 2005 descobriu os restos atribuídos ao astrónomo.

O cientista revolucionou a Astronomia mundial ao dizer que a “Terra gira em torno do Sol” e a sua obra «De Revolutionibus Orbium Coelestium», considerada uma pedra basilar da astronomia, desenvolve a teoria heliocêntrica – na qual defende que o astro permanece estático com revoluções dos planetas em seu redor por um determinado período, formando um sistema: o solar.

Quando afirmou que a Terra se move em torno do Sol, em 1543, o cientista Nicolau Copérnico não apenas divulgou um novo postulado científico, aquilo que ele provocou foi uma revolução no pensamento ocidental, ao tirar pela primeira vez o homem do centro do Universo. Até então, a teoria geocêntrica de Ptolomeu, em que tudo girava em volta da terra, era a verdade que guiava a filosofia, a ciência e a religião.


Restos mortais enterrados na Catedral de Frombork
Restos mortais enterrados na Catedral de Frombork
Vida e obra

Nascido numa família de ricos comerciantes, Nicolau Copérnico foi educado pelo tio, futuro bispo de Ermland, depois de ficar órfão aos onze anos. Em 1491 ingressou na Universidade de Cracóvia, onde estudou astronomia e matemática. Na busca incessante de novos conhecimentos, viajou para a Itália, em 1497. Na Universidade de Bolonha, estudou direito canónico durante três anos. A seguir, frequentou as universidades de Roma, Pádua e Ferrara e aprendeu medicina, direito, astronomia e matemática.

Só regressou definitivamente à Polónia em 1506 estabelecendo-se em Frauenburg (Frombork), onde realizou as primeiras observações feitas por instrumentos que ele próprio construiu. A teoria heliocêntrica ainda era apresentada apenas como hipotética, tendo começado a circular em 1529. Quatro anos depois, o papa Clemente VII solicitou uma exposição fundamentada e, em 1536, o cardeal Schönberg pediu que fosse publicada, mas Copérnico adiou a publicação, alegando a necessidade de elaborar uma teoria mais completa.

No ano seguinte, por intermédio de Rheticus, o primeiro livro completo, «De Revolutionibus Orbium Coelestium», foi enviado para publicação. Mas a obra só foi impressa, provavelmente, em 1543, contendo emendas e alterações sem o consentimento de Copérnico. O manuscrito original permaneceu com o autor até sua morte.
 

Investigadores recolheram DNA de caçador-colector com 30 mil anos de idade

Fonte: Ciência Hoje

2010-01-01



Equipa de arqueólgos que fez <br> as escavações nos anos 50
Equipe de arqueólgos que fez
as escavações nos anos 50
Cientistas alemães e russos analisaram o DNA extraído de despojos de um antigo caçador-recolector europeu de há 30 mil anos, que pode vir a fornecer mais esclarecimento sobre a evolução da espécie humana, noticia hoje a BBC News.

Estudos anteriores deste tipo foram ineficazes devido à dificuldade de distinguir entre o DNA dos antigos seres como o "homo sapiens" e do homem actual.

Detalhes do trabalho realizado pela equipa de cientistas de como foi possível superar este obstáculo foram publicados no jornal britânico da especialidade Current Biology.

Svante Paabo, do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology de Leipzig (Alemanha) e os seus colegas começaram por estudar a informação genética de restos de um humano descoberto em 1954 em Kostenki.

As escavações em Kostenki, nas margens do rio Don, sul da Rússia, proporcionaram inúmeros achados arqueológicos do paleolítico, de entre 40 mil e dez mil anos atrás.

"O irónico é ter sido o nosso grupo a fazer este achado", declarou o professor Svante Paabo, referindo-se à recolha do DNA de um homem de 20 a 25 anos de idade sepultado numa cova de forma oval há 30 mil anos.

Conhecido como esqueleto de Markina Gora, encontrava-se numa posição pouco vulgar: agachado em posição vertical, com os ossos cobertos por uma pigmentação de ocre vermelho semelhante a outros registos de procedimentos usados em ritos fúnebres pré-históricos.

Da ossada foi recolhido DNA mitochondrial (mtDNA), que é passado de mãe para filhos, fornecendo um registo original da herança materna.

Usando a tecnologia que abriu caminho no estudo do DNA dos ossos do Neanderthal, os cientistas alemães e russos puderam distinguir entre o material genético antigo deste homem de Kostenki para compará-lo com o dos modernos seres humanos.

Stonehenge serviu de cemitério durante 500 anos, diz estudo


Stonehenge é o monumento pré-histórico mais importante da Grã-Bretanha

Recentes estudos arqueológicos realizados em Stonehenge, o monumento pré-histórico mais importante da Grã-Bretanha, revelaram que o local foi usado como cemitério durante 500 anos, um tempo muito maior do que se pensava anteriormente.

Até agora, arqueólogos acreditavam que cemitérios teriam sido criados no local entre 2700 a.C e 2600 a.C, cerca de um século antes de as pedras gigantes serem instaladas.


No entanto, uma pesquisa que analisou escavações feitas em 1950 sugere que corpos eram enterrados em Stonehenge já no ano 3000 a.C, pouco depois da criação do monumento.


“A partir de então (3000 a.C), Stonehenge teria servido de cemitério até 2500 a.C”, afirmou arqueólogo Mike Parker Pearson, coordenador do projeto Stonehenge Riverside, patrocinado por cinco universidades britânicas.


Local especial
Os arqueólogos acreditam que os restos mortais mais antigos encontrados no local – uma pilha de ossos e dentes queimados – teriam pertencido a uma única família de elite da época, provavelmente integrante de uma dinastia.
Os vestígios mortais mais recentes de que se tem notícia seriam de uma mulher de 25 anos enterrada entre 2570 a.C e 2340 a.C, quando as grandes pedras começaram a chegar ao local.


“Eu não acredito que este era um lugar onde pessoas comuns eram enterradas. Certamente Stonehenge era um local especial naquela época”, afirmou Parker Pearson.
“Há muito tempo arqueólogos especulam se Stonehenge não teria sido criado por reis pré-históricos. Os novos resultados mostram que, não somente este talvez tenha sido o caso, como também eles tenham escolhido este lugar para ser enterrados”.

No entanto, outros especialistas têm uma outra visão do que teria sido Stonehenge. Para Tim Darvill, da Universidade de Bournemouth, e Geoff Wainwright, da Sociedade de Antiquários, o monumento teria sido um local de cura.

Após duas semanas de escavações no local, em abril deste ano, os pesquisadores dizem estar convictos de que Stonehenge era uma espécie de “Santuário de Lourdes Neolítico”, onde peregrinos iam buscar curas para doenças.

Tubarão pré-histórico morre em aquário no Japão




Espécie encontrada no Japão raramente é vista na superfície
Um tubarão de águas profundas, encontrado na costa do Japão, morreu depois de duas semanas vivendo em um tanque especial no aquário de Tóquio
.
A espécie costuma ser encontrada apenas abaixo de 1,2 mil metros de profundidade e raramente é vista na superfície.
Cientistas acreditam que tubarões como esse não mudaram nas últimas dezenas de milhões de anos.



No fim do mês passado, o animal foi visto nadando em águas rasas na costa da capital japonesa.
O tubarão foi levado para o aquário de Tóquio, onde cientistas tentaram mantê-lo vivo em um tanque que simula as condições de pouca luz e grande pressão, encontradas no fundo do mar.
 
Nos últimos dois meses, dois destes animais pré-históricos apareceram em águas japonesas, possivelmente arrastados por correntezas.

Arqueólogos Acham Ferramentas do Neandertal

Publicado: BBC Brasil - 23 Junho 2008



Ferramentas antigas
Ferramentas teriam pertencido a homens de Neandertal caçadores
Dezenas de ferramentas que teriam pertencido a homens de Neandertal foram achadas por arqueólogos no sul da Grã-Bretanha.

O cientista Matthew Pope, da University College London, disse que a descoberta em Beedings, no condado inglês de West Sussex, revela novas informações sobre a vida de uma comunidade de caçadores.


As ferramentas poderiam ter sido usadas para caça de cavalos, mamutes e rinocerontes.
Esta é a primeira investigação científica do sítio arqueológico desde 1900, quando ele foi descoberto.


"É animador pensar que existe a possibilidade real de que estas peças tenham sido deixadas por alguns dos últimos grupos de homens de Neandertal caçadores que ocuparam o norte da Europa", disse Pope.


"A impressão que elas nos dão é de uma população em completo comando da paisagem e dos recursos naturais brutos, com uma tecnologia em desenvolvimento – não de um povo no limite da extinção." 

Quando o sítio foi descoberto no começo do século 20, durante a construção de um casarão no local, havia 2,3 mil ferramentas.
Por muitos anos, acreditou-se que as ferramentas eram falsas. Com exceção de algumas centenas delas, quase todas foram jogadas em um poço e nunca mais foram vistas.


As ferramentas só foram reconhecidas como legítimas depois de uma pesquisa de Roger Jacobi, do projeto britânico Ancient Human Occupation (Ocupações Humanas Antigas).


Ele mostrou que muitas das ferramentas eram muito parecidas com outras encontradas no norte da Europa, que tinham entre 35 mil e 42 mil anos.
Segundo Matthew Pope, a nova descoberta comprovaria que o material é genuinamente pré-histórico.

"Havia algumas dúvidas sobre a validade da descoberta anterior, mas nossas escavações provaram sem dúvida que o material descoberto aqui é genuíno", disse ele.


Pope disse que os homens de Neandertal ocuparam a região de Beedings por muitos anos, possivelmente devido à excelente vista que se teria do gado que pasta nas redondezas.


A diretora da Comissão de Ambientes Históricos da Grã-Bretanha, Barney Sloane, disse que o estudo "oferece uma rara chance para que sejam respondidas algumas perguntas cruciais sobre o quão avançados tecnologicamente eram os homens de Neandertal e como eles se comparam com a nossa espécie".

Cientistas datam construção de Stonehenge de 2300 a.C.

James Morgan
Da BBC News




Escavação em Stonehenge
Escavação foi a primeira desde 1946
Arqueólogos dataram a construção de Stonehenge, o conhecido conjunto pré-histórico de círculos de pedras na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, para o período em torno de 2300 a.C. - um passo importante para descobrir como e por que o misterioso monumento foi criado.


 A data, definida pelo método de datação por radiocarbono, é considerada a mais precisa já realizada e significa que as pedras foram colocadas no local 300 anos depois do que se imaginava antes.


A determinação da data foi o principal resultado de uma grande escavação no local por pesquisadores britânicos.
Por séculos, arqueólogos se maravilham com o monumento, já que análises minerais indicam que o círculo original de pedras gigantes foi transportado à planície de um local a 240 km de distância, no sul do País de Gales.
Essa façanha fez com que muitos acreditassem que as pedras tivessem 'poderes'. 

Até agora, acreditava-se que a construção do primeiro círculo datava do período entre 2600 a.C. a 2400 a.C.

Para definir a data exata, o professor Tim Darvill, da Universidade de Bournemouth, e o arqueólogo Geoff Wainwright, receberam permissão das autoridades para escavar um pedaço de terra de apenas 2,5 m x 3,5 m entre dois círculos das pedras gigantes. 

A escavação produziu cerca de 100 peças de material orgânico das bases das pedras, agora enterradas. Dessas peças, 14 foram enviadas para a Universidade de Oxford para uma análise com radiocarbono.


O resultado indicou a construção para o período "entre 2400 a.C. a 2200 a.C" - o ano de 2300 a.C. foi tirado como uma média.

Uma data ainda mais precisa será revelada nos próximos meses.
"É uma sensação incrível, um sonho se tornando realidade", disse Wainwright, ex-arqueólogo-chefe da English Heritage.

Centro de curas
Darvill e Wainwright acreditam que Stonehenge era um centro de curas – “uma Lourdes neolítica” para a qual os enfermos viajavam para serem curados pelos poderes do arenito cinzento, conhecido como “pedras azuis.”
Eles apontam para o fato de que “um grande número” de cadáveres encontrados em túmulos perto do local mostra sinais de doenças e ferimentos físicos sérios e uma análise dos dentes mostra que “cerca de metade” dos corpos era de pessoas que “não eram nativas da região de Stonehenge.”
Mas sem uma data precisa para a construção de Stonehenge tem sido difícil provar essa ou qualquer outra teoria.

Curiosamente, o período estabelecido pelo método de radiocarbono bate com a data do enterro do chamado "Arqueiro de Amesbury", cujo túmulo foi descoberto a cerca de 4,8 km de Stonehenge. 

Alguns arqueólogos acreditam que ele seja a chave para entender a razão pela qual Stonehenge foi construído. Os restos mortais dele foram datados para o período entre 2500 a.C. e 2300 a.C. 

Análises do cadáver do arqueiro e de artefatos encontrados no túmulo dele indicam que ele seria um homem rico e poderoso, com conhecimento de trabalho com metais, e que tinha viajado da região dos Alpes europeus para Salisbury por razões desconhecidas. 

Análises também indicaram que ele sofria de um ferimento no joelho e de um problema dentário potencialmente fatal, o que fez com que Wainwright e Darvill acreditassem que o arqueiro tenha ido para Stonehenge em busca de cura. 

Debate
Mas outros pesquisadores acreditam que não se pode descartar outras teorias para a construção do monumento.

“A teoria de que foi um centro de curas é plausível, mas eu não acredito que possamos descartar outras – que o templo era um ponto de encontro entre a terra dos vivos e a dos mortos, por exemplo”, disse Andrew Fitzpatrick, da Wessex Archaeology. 

“Eu não estou convencido de que o 'Arqueiro de Amesbury' tenha vindo para Stonehenge para ser curado. Eu acredito mais que ele era um metalúrgico que viajou para o local para vender seus conhecimentos”, afirmou.


“De qualquer forma, ainda não está claro se o enterro dele aconteceu mesmo antes de Stonehenge”, concluiu.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

GEÓGLIFOS DO ACRE - BRASIL


Geoglifos podem ser encontrados em várias partes do mundo. Os mais conhecidos e estudados estão na América do Sul, principalmente na região andina do Chile, Peru e Bolívia.Marie Reich dedicou a sua vida aos estudos dos geoglifos de Nasca. Há alguns anos geoglifos também foram encontrados na região amazônica brasileira. Mais precisamente no Estado do Acre. Rosângela Menezes, Dra.

A nota da descoberta e as fotos foram publicadas na edição de 15 de Agosto de 1986 no jornal “O Rio Branco”.Em 1999, em outra viagem, um vôo comercial de Porto Velho para Rio Branco, novamente o Prof. Alceu Ranzi, percebeu uma dessas gigantescas estruturas da janela do avião. A partir de 2000, com as fotos aéreas obtidas pelo fotógrafo Edison Caetano, os geoglifos do Acre tiveram repercussão nacional e internacional.

 GEÓGLIFOS - SITE DE UM SITO ARQUEOLÓGICO NO ARCRE







Geoglifo Santa Terezinha em Capixaba (AC ). Imagem: Édison Caetano e Diego Gurgel

Coordenados pela arqueóloga Denise Schaan, um grupo de pesquisadores já identificou e catalogou a existência de 255 geoglifos na parte leste do Acre como decorrência de um esforço para fazer um amplo levantamento regional desses sítios arqueológicos. Os geoglifos são figuras formadas por valetas com largura média de 11 metros , tendo cada valeta de 1 a 4 metros de profundidade. A técnica construtiva inclui muretas de 6 a 8 metros com meio metro de altura. As figuram chegam a medir em média de 100 a 200 metros . Eles possuem, ainda, caminhos com 20 metros de largura.

Os geoglifos, que foram construídos entre os seçulos I e X, serviam para diversas funções: moradia e plantação (aldeias fortificadas) , encontros, festas, rituais. Estão localizados em áreas de interflúvio, entre os divisores de água dos rios Acre, Iquiri e Abunã. Essas imensas estruturas só se tornaram visíveis após o desmatamento da região e estão na forma de círculos, elipses, quadrados, retângulos, hexágonos, octógonos e meia lua, além de formas irregulares. Os geoglifos do Acre fizeram parte neste ano da lista indicativa do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) encaminhada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) recomendando que sejam avaliados para possível tombamento como patrimônio cultural da humanidade, a exemplo das Pirâmides do Egito, Muralhas da China e as Ruínas de Machu Picchu.


Os próximos passo dos pesquisadores será selecionar geoglifos para escavar, entender suas funções e estabelecer uma cronologia, realizar inventário de espécies vegetais que nasceram sobre os geoglifos, realizar estudos de solo (fertilidade, áreas de atividade) e estudar composição da flora na época da construção dos mesmos. As pesquisas têm sido intensificadas. Recentemente, por exemplo, foram descobertos diversos novos geoglifos no município de Acrelândia, onde predominam as figuras retangulares, acompanhadas, às vezes, de outras estruturas complexas. Na semana passada, durante um sobrevôo, foram feitas fotos inéditas de novos deles.






Geoglifo parcialmente coberto pela floresta. Imagem: Altino Machado








 


Entrevista – Denise Schaan, atual presidente da Sociedade Brasileira de Arqueologia, conversou com o Blog da Amazônia:


Arqueóloga Denise SchaaN,o que há de novo em relação aos geoglifos do Acre?
Temos 255 geoglifos e cada vez que a gente começa a explorar uma área diferente encontramos mais e mais. Eles não estão apenas nas áreas desmatadas, mas dentro da floresta também. É um trabalho que vai demandar muitos anos de estudos. Temos nos surpreendido com a complexidade de algumas estruturas que temos encontrado, com montículos e muretas lineares, que formam outros tipos de espaços, que levam para outros lugares. Não é apenas aquele geoglifo que nos induz a acredita que ali existiu uma aldeia, mas algo muito ampliado em termos de ocupação.

Você continua convencida de que os geoglifos questionam os estudos que concluem que a presença de populações primitivas na Amazônia era restrita às margens dos rios?
Sem dúvida. A gente tinha conhecimento da existência de valetas, de estruturas defensivas, no Alto Xingu. Nessas áreas de interflúvio para terra firme, que a gente achava que só havia povos nômades ou aldeias que estavam sempre mudando de lugar, temos visto indícios de estruturas mais permanentes cujo espaço foi ocupado por um grande número de pessoas por um longo período de tempo. Essa região do Acre merece um estudo especial porque está afastada do curso do Rio Amazonas, mais próxima dos Andes. Estamos num ambiente que está no caminho entre duas coisas. Povos andinos faziam trocas com povos da Amazônia. Esses geoglifos podem indicar um local de passagem que a gente ainda não conhece.

Esses povos poderiam ser aruaque?
A gente sabe, a partir de dados etno-históricos, que os aruaque se distribuíram, a partir das Antilhas, em toda a borda amazônica. Eles usavam essas aldeias mais ou menos circulares, grandes áreas de praças, com as casas em volta. Eles também têm o costume de fazer essas estruturas defensivas, tipo valetas, muretas e estradas. É muito provável que foram povos aruaque que habitaram os geoglifos.



Qual incógnita precisa se respondida em relação aos geoglifos?
O que acho mais intrigante até agora é o fato de termos encontrado indícios de moradia em alguns e em outros não. Parece que alguns foram construídos para utilização em um único evento. Que evento seria esse? Outra incógnita é saber qual era a vegetação nativa na época da construção dos geoglifos. Precisamos saber se era uma savana aberta ou se era uma floresta. Se era floresta, eles tiveram que destruí-la para construir essas estruturas. Temos encontrado cerâmicas e lâminas de machados de pedra. Os machados não são do Acre. Pedra é um material que existe em Rondônia, mas não no Acre. Podemos deduzir que são instrumentos de troca. Como se deslocavam de um local para outro tão longe? Certamente todos eles estavam em contato, do contrário não teria como se expandir toda essa mentalidade que está por trás dos geoglifos.

E a proteção desse patrimônio arqueológico?
Acho que deveria ser feita uma grande campanha para a proteção desses geoglifos. Não acho que se deva criminalizar a situação. A gente tem um evento de um geoglifo que visitamos em Acrelânida cuja maioria dele está dentro da mata. Quando o proprietário chegou naquela área, a floresta já estava desmatada, mas ele decidiu que não derrubaria o resto porque compreende que é importante para estudos. Sei que não vamos conseguir preservar todos, mas é importante campanhas de sensibilização nesse sentido.

Ramal Floresta, em Acrelândia. Imagem: Diego Gurgel





Cientistas encontram evidências de canibalismo em massa

Pesquisadores dizem que restos de 500 pessoas encontrados na Alemanha foram 'mastigados' e 'intencionalmente mutilados.'
Da BBC

Arqueólogos encontraram evidências de canibalismo em massa em um cemitério humano que data de sete mil anos atrás, no sudoeste da Alemanha, segundo a revista especializada "Antiquity". Os autores da pesquisa dizem que suas descobertas trazem indicações raras da prática de canibalismo na Europa no início do período Neolítico.

Cerca de 500 restos mortais que foram encontrados perto da vila de Herxheim podem pertencer a vítimas de canibalismo.

Os restos, que teriam sido "mutilados intencionalmente", incluem crianças e até fetos, segundo os pesquisadores.

O local foi escavado pela primeira vez em 1996, e explorado novamente entre 2005 e 2008.

O coordenador da pesquisa, Bruno Boulestin, da Universidade de Bourdeaux, na França, disse que ele e seus colegas encontraram evidências de que ossos humanos foram cortados e quebrados de propósito, uma indicação de canibalismo.

"Nós observamos padrões nos ossos de animais indicando que eles foram assados em um espeto", disse. "Nós vimos padrões iguais em ossos humanos (no local)."

Mas Boulestin reforçou que é difícil provar que esses ossos foram deliberadamente cozidos. Alguns cientistas rejeitam a teoria do canibalismo, dizendo que a remoção da carne poderia ser parte de rituais de enterro.

Mas Boulestin disse que os restos humanos encontrados na Alemanha foram "intencionalmente mutilados" e que há evidências de que muitos deles foram mastigados.

O início do período Neolítico foi quando a agricultura começou a se espalhar pela Europa central e a equipe acredita que o canibalismo no continente era uma ocorrência rara, provavelmente apenas durante períodos de fome extrema.

Novos fósseis revelam um mundo cheio de crocodilos

Espécies receberam apelidos como CrocJavali, CrocRato e CrocCão.
Eles viveram entre 145 a 65 milhões de anos atrás no que hoje é o Saara.
Do G1, com agências internacionais



Foto: AP Photo/National Geographic, Mike Hettwer

Crânio de nova espécie de crocodilo descoberta, batizada de DogCroc (CrocCão), viveu no deserto do Saara. (Foto: AP Photo/National Geographic, Mike Hettwer)

Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes, disseram pesquisadores nesta quinta-feira (19).

As novas espécies -- identificadas por apelidos: CrocJavali, CrocRato, CrocCão, CrocPato e CrocPanqueca -- podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem sucedida de vida.





  • Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar


Eles viveram durante o Cretáceo -- 145 a 65 milhões de anos atrás -- quando os continentes ainda estavam unidos e o mundo era mais quente e úmido que hoje.

"Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar", disse o paleontólogo Hans Larsson, da Universidade McGill, de Montreal, que participou do estudo.

"Cada crocodilo aparentemente tinha dietas e comportamentos diferentes. Parece que eles dividiram o ecossistema, com cada espécie tirando proveito dele à sua própria maneira."

Com verba da "National Geographic", Larsson e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estudaram mandíbulas, dentes e os poucos ossos disponíveis dos animais. Também fizeram tomografias computadorizadas para olhar dentro dos crânios.

'Inteligência'
Duas das espécies -- o CrocCão e o CrocPato -- tinham cérebros diferentes dos crocodilos modernos. "Eles podiam ter uma função cerebral ligeiramente mais sofisticada do que os crocodilos (atualmente) vivos, porque a caça ativa sobre a terra habitualmente exige mais poder cerebral do que simplesmente esperar que a presa apareça", disse Larsson em nota.

O CrocRato, uma nova espécie formalmente chamada de Araripesuchus rattoides, foi encontrada no Marrocos e teria usado sua mandíbula inferior com dentes elevados para fuçar em busca de comida.

O CrocPanqueca, conhecido cientificamente como Laganosuchus thaumastos, tinha 6 metros de comprimento e uma cabeça comprida e chata.

O CrocPato representa novos fósseis achados no Níger de uma espécie previamente conhecida, chamada Anatosuchus minor. Tinha um focinho largo e provavelmente se alimentava de larvas e sapos.

O mais feroz era o CrocJavali, também com 6 metros, mas que corria em pé e tinha uma mandíbula preparada para esmagar, com três pares de dentes cortantes.


Alguns eram bípedes, com as pernas em baixo do corpo, em vez de serem rastejantes e terem as pernas ao lado do corpo


"Seus talentos anfíbios do passado podem ser a chave para entender como eles floresceram na era dos dinossauros e afinal sobreviveram a ela," escreveu Sereno em um artigo para a "National Geographic."

Peças históricas confirmam povoamento antes da fundação de São Vicente

Prefeitura e arqueólogos encontraram objetos que datam de 1516.
Primeira vila do Brasil foi fundada na cidade em 1532.
Juliana Cardilli Do G1, em São Paulo

 

Construções históricas descobertas serão abertas para o público (Foto: Márcio Pinheiro/PMSV)

A Prefeitura de São Vicente, no Litoral Sul de São Paulo, descobriu por meio de escavações no Centro da cidade construções e objetos arqueológicos datados entre 1516 e 1520, comprovando o povoamento do local antes da fundação oficial da primeira vila do país, em 1532. Os trabalhos começaram em setembro, e foram finalizados no fim de novembro. De acordo com a prefeitura, o sítio será aberto para a visitação do público, dentro da Casa Martim Afonso de Sousa, entre janeiro e fevereiro de 2010.

As escavações foram feitas no entorno de uma parede histórica que já estava parte à mostra no local. A base desta parede estava coberta, e a prefeitura fez um convênio com o Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas para fazer uma limpeza no local e encontrar a base.

“Já sabíamos que a parede era antiga, mas achamos ainda mais coisas. Encontramos um sambaqui, ocupação que data de 3 mil anos atrás, cerâmicas da cultura tupi acima deles e acima destas cerâmicas havia louças, objetos de ferro, vidro e bronze, utilitários usados no processo colonial”, explicou o arqueólogo Manoel Gonzalez, que participou dos trabalhos. 


Peças descobertas também ficarão expostas (Foto: Márcio Pinheiro/PMSV)

A base da parede e os objetos do período colonial foram datados como sendo de antes da fundação da cidade. O que não é uma novidade para os historiadores. “A história de que havia construções nesse local antes da chegada de Martim Afonso [um dos fundadores da vila] é muito antiga. Aparece em um texto de 1530 de Alonso de Santa Cruz, falando de dez a 12 casas de portugueses e uma construção para se proteger dos ataques dos índios”, explicou o historiador Marcos Braga, da Secretaria de Cultura de São Vicente.

A descoberta, entretanto, comprova pela primeira vez com material concreto essa informação. De acordo com o arqueólogo Gonzáles, a datação dos objetos históricos foi feita por meio de termoluminescência, técnica mais recente que usa raios luminosos para determinar a data do material.

No total, foram retiradas do sítio 883 peças arqueológicas, que serão expostas na Casa Martim Afonso de Sousa. Outros materiais foram deixados como parte do contexto do sítio, que será aberto para a visitação do público no início do próximo ano.

“A gente já sabia que a parte da parede que estava evidenciada não era de uma simples casa, mas de uma edificação maior. Agora, temos a confirmação do que já havia nos textos históricos, a confirmação da importância do local”, afirmou Braga. “Ainda devemos achar mais material no local. Esse é apenas o início do processo.” 

Descoberta a mais antiga caverna ocupada por seres humanos

Caverna era usada como habitação há 2 milhões de anos, de acordo com datação de artefatos achados no local.





Cientista trabalha na caverna sul-africana, em busca de vestígios de ocupação


Cientista trabalha na caverna sul-africana, em busca de vestígios de ocupação


SÃO PAULO - Uma equipe internacional de pesquisadores datou de 2 milhões de anos atrás uma série de artefatos encontrados na caverna Wonderwek, na África do Sul. Essa datação faz dos artefatos os mais antigos vestígios de ocupação de uma caverna por ancestrais do homem - no caso, o Homo habilis.

A caverna havia sido descoberta por fazendeiros em 1940. Peter Beaumont, do Museu McGregor - uma das instituições patrocinadoras do novo estudo - realizou escavações arqueológicas no local entre 1978 e 1993, recuperando um pequeno número de ferramentas de pedra.

Segundo a Universidade de Toronto, outra instituição envolvida na pesquisa, o conjunto de ferramentas encontrado indica a ocupação intencional da caverna por ancestrais humanos. As ferramentas de pedra mais antigas conhecidas foram descobertas na Etiópia e datam de 2,4 milhões de anos atrás.

Os cientistas tioveram que utilizar uma combinação de técnicas para datar o material encontrado na caverna, incluindo a comparação da orientação magnética das rochas com as mudanças conhecidas no campo magnético terrestre, e a datação pelo decaimento radioativo de componentes do material.

Para saber mais:
1 - Homo Habilis 1

2 - Homo Habilis 2

Flauta de 35 mil anos é o mais antigo instrumento musical
 
Objeto feito de osso de abutre foi achado na mesma caverna da mais antiga escultura do corpo humano
Associated Press

BERLIM - Uma flauta de osso de pássaro descoberta em uma caverna da Alemanha foi entalhada há cerca de 35 mil anos e é o mais antigo instrumento musical artesanal já descoberto, dizem arqueólogos, oferecendo a mais nova evidência de que as primeiras populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa.


Uma equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, montou a flauta  a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.

Juntas, as peças formam um instrumento musical de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de "V". Coranrd disse que a flauta tem 35 mil anos de idade.



A flauta entalhada em um osso de abutre, descoberta em caverna pré-história alemã. Divulgação


"É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o arqueólogo. A descoberta está descrita na edição desta semana da revista Nature.

Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard.

A arqueóloga especializada no período paleolítico April Nowell, da Universidade de Victoria, no Canadá, disse que a data da flauta é anterior à de outros instrumentos, "mas não tão mais antiga que chegue a ser surpreendente ou polêmico". Ela não tomou parte no trabalho de Conard.

A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de sete outras flautas, também encontradas no sul da Alemanha e documentadas por Conard e colegas nos últimos anos.

Outra flauta, descoberta na Áustria, teria 19 mil anos, e um conjunto de 22 flautas encontradas nos Pirineus franceses foram datadas de 30 mil anos atrás.

A equipe de Conard escavou a flauta em setembro de 2008, o mesmo mês em que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.



A flauta, o mais antigo isntrumento musical artesanal, vista no solo da caverna. Divulgação


A escavação, no detalhe a fleca, os fragmentos das flautas de marfim


Juntas, flauta e estatueta - descobertas na mesma camada de sedimento - sugerem que seres humanos anatomicamente modernos haviam estabelecido uma cultura avançada na Europa há 35 mil anos, disse o arqueólogo Wil Roebroeks, da Universidade de Leiden, na Holanda, e que não tomou parte em nenhuma das duas descobertas.

Roebroeks disse que é difícil saber qual o grau de inteligência ou de desenvolvimento social desse povo. Mas os vestígios materiais que deixaram - escultura, instrumentos musicais, adornos - combinam com objetos associados ao comportamento dos seres humanos modernos.

"Isso mostra que, já no momento em que os humanos modernos entraram na Europa... em termos de cultura material, eram tão modernos quanto possível", disse ele.

Neandertais também viviam na Europa na época em que a flauta e a estatueta foram feitas, e frequentaram a caverna de Hohle Fels. Tanto Conard quanto Roebroeks acreditam, no entanto, que os depósitos de vestígios deixados por ambas as espécies, ao longo de milhares de anos, indicam que os artefatos foram criados por humanos.

"O registro material é tão completamente diferente do que aconteceu nas centenas de milhares de anos anteriores, com os neandertais", disse Roebroeks. "Eu apostaria que humanos modernos criaram e tocaram essas flautas".

Em 1995, o arqueólogo Ivan Turk encontrou um osso de urso em uma caverna da Eslovênia, e que ficou conhecido como a Flauta de Divje Babe. Turk datou o objeto de 43 mil anos atrás e sugeriu que fosse uma flauta usada por neandertais.

Mas outros arqueólogos puseram a hipótese em questão, sugerindo que os furos feitos no osso eram marcas dos dentes de um animal carnívoro.


foto após a escavação, com detalhe para os furos dos dedos