sábado, 17 de outubro de 2009

Compositor simula música do homem de Neandertal



Uma exposição em um museu no País de Gales traz uma amostra de como poderia ter sido a música do homem de Neandertal, em uma composição criada e gravada por um músico e compositor galês.
  
Homem de Neandertal provavelmente usava linguagem e música, diz compositor

A gravação é resultado de uma extensa pesquisa feita pelo compositor Simon Thorne, incumbido pelo Museu Nacional do País de Gales, na Grã-Bretanha, de tentar recriar sons da espécie que existiu há cerca de 30 mil anos paralelamente com os primeiros Homo sapiens.

A trilha sonora será usada como pano de fundo para algumas das peças em exposição no museu. Mas, por causa do interesse gerado pelo trabalho, o músico saíra em turnê, ainda este ano.

Thorne afirma que este foi "provavelmente" o trabalho "mais incomum" que já realizou.

Ouça aqui aqui a música do homem de Neandertal


Apesar de o homem de Neandertal ter reputação de ser pouco inteligente, pesquisas recentes sugerem que ele era muito mais inovador e expedito do que se pensava.

"Levando-se em conta que o cérebro do homem de Neandertal tinha o mesmo tamanho que o nosso, e que grande parte do cérebro é usada para a linguagem, então podemos concluir que eles provavelmente usavam alguma linguagem", disse Thorne.

"Toda cultura tem linguagem e música, então, podemos provavelmente concluir que eles também tinham música."

Ilustração
A composição de 75 minutos de duração foi encomendada pelo Museu Nacional do País de Gales com o objetivo de servir como "ilustração musical" na sessão paleolítica da exposição Origens do País de Gales.

A exposição inclui artefatos como um machado e dentes encontrados em Pontnewydd em Denbigshire e, como parte de sua pesquisa, Thorne visitou a caverna onde eles forem encontrados.

O compositor afirma ser o primeiro a admitir que é impossível saber exatamente como seria a música composta pelo Homem de Neandertal.

"É uma noção ridícula sugerir que poderíamos saber o papel preciso da música na vida dos Homens de Neandertal, mas imaginá-la tem sido uma experiência fascinante."

O compositor pesquisou a época extensivamente e encontrou inspiração em dois livros: The singing Neanderthal, do arqueólogo Steven Mithens (O Neanderthal cantor, em tradução livre), e The Mind in the Cave (A mente na caverna, em tradução livre), de David Lewis Williams.

Segundo Mithens - que participará de uma palestra com Thorne sobre o papel que a música pode ter tido na vida dos Homens de Neandertal - o compositor "está tentando criar a sensação de estar presente naquela época".

Além da música, um filme encomendado para a exposição vai transportar o público para uma caverna usada por Homens de Neandertal.

O músico depois seguirá em turnê, com quatro cantores, instrumentos de pedra e um projeto de vídeo para várias cidades britânicas no fim de março.



BRASIL





Cientistas acham fóssil 'inédito' de réptil voador na China


Cientistas afirmaram ter encontrado fósseis de um réptil voador desconhecido, que teria vivido no nordeste da China há 160 milhões de anos, segundo um estudo publicado na última edição da revista especializada Proceedings of the Royal Society B.

Ossos teriam mais de 160 milhões de anos e são parentes dos pterodáctilos.


O animal foi batizado de Darwinopterus, em homenagem ao naturalista britânico Charles Darwin, e pode ser uma prova de uma polêmica teoria chamada evolução modular, segundo a qual, a seleção natural força a mudança rápida de várias características, e não apenas uma de cada vez.




Os darwinópteros eram criaturas parecidas com águias, cuja cabeça e pescoço se assemelham a pterodáctilos mais evoluídos. Já o resto do esqueleto se parece mais com o grupo primitivo.
Os 20 fósseis encontrados na China apresentariam semelhanças com pterodáctilos mais primitivos e mais evoluídos, que viveram entre 65 milhões e 220 milhões de anos atrás.

O darwinóptero seria o elo perdido entre dois grupos de pterodáctilos

 Até essa última descoberta, os cientistas conheciam dois grandes grupos de pterodáctilos: os primitivos, de cauda longa, e os mais evoluídos, de cauda curta. Entre eles, havia um vazio.


Os novos fósseis podem ser este "elo perdido" entre os dois grupos.Com suas mandíbulas longas e dentes pontiagudos, os animais pareciam ser mais bem adaptados à caça que outras espécies voadoras



Os fósseis foram encontrados em rochas de 160 milhões de anos, ou seja, 10 milhões de anos mais velhos do que o primeiro pássaro, o Archaeopteryx
A descoberta pode comprovar uma polêmica teoria de evolução



BRASIL






terça-feira, 13 de outubro de 2009

Réptil Voador Nordestino


Bico sem dentes e crista avantajada caracterizam o Tupuxuara deliradamus, cujas asas podem ter medido 4,5 m de ponta a ponta

O grupo mais belo e esquisito de répteis pré-históricos do Brasil tem um novo integrante. Trata-se do Tupuxuara deliradamus, um pterossauro cujas asas podem ter medido 4,5 m de ponta a ponta e que sobrevoava a região de Santana do Cariri, no sul do Ceará, há mais de 100 milhões de anos.

O bicho foi descrito pelo paleontólogo Mark Witton, da Universidade de Portsmouth (Reino Unido), em artigo na revista científica "Cretaceous Research", e mostra que a diversidade de répteis voadores no Ceará da Era dos Dinossauros provavelmente era grande

Além das asas avantajadas e do "bico" sem dentes, os pterossauros do gênero Tupuxuara, assim como seus primos próximos, do gênero Thalassodromeus, são caracterizados por imensas cristas ósseas no alto da cabeça. A função desse tipo de cocar nos bichos extintos ainda não está clara.

Alguns pesquisadores, como o brasileiro Alexander Kellner, paleontólogo do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), postularam que a crista era uma espécie de radiador. Cortada por uma densa rede de vasos sanguíneos, ela seria responsável por dispersar o calor do corpo dos bichos durante o voo.

Witton, porém, não aposta nessa interpretação. "Uma coisa que notamos é que essa rede de vasos está apenas na superfície da crista, não chega ao fundo dela. Isso indica que ela não era boa para transportar o calor dos órgãos internos para fora e vice-versa", diz. "Por outro lado, vemos que a crista só fica realmente grande em indivíduos maduros. Isso sugere que ela podia ser um sinal de maturidade sexual", avalia.
Créditos: REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo