sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

GEÓGLIFOS DO ACRE - BRASIL


Geoglifos podem ser encontrados em várias partes do mundo. Os mais conhecidos e estudados estão na América do Sul, principalmente na região andina do Chile, Peru e Bolívia.Marie Reich dedicou a sua vida aos estudos dos geoglifos de Nasca. Há alguns anos geoglifos também foram encontrados na região amazônica brasileira. Mais precisamente no Estado do Acre. Rosângela Menezes, Dra.

A nota da descoberta e as fotos foram publicadas na edição de 15 de Agosto de 1986 no jornal “O Rio Branco”.Em 1999, em outra viagem, um vôo comercial de Porto Velho para Rio Branco, novamente o Prof. Alceu Ranzi, percebeu uma dessas gigantescas estruturas da janela do avião. A partir de 2000, com as fotos aéreas obtidas pelo fotógrafo Edison Caetano, os geoglifos do Acre tiveram repercussão nacional e internacional.

 GEÓGLIFOS - SITE DE UM SITO ARQUEOLÓGICO NO ARCRE







Geoglifo Santa Terezinha em Capixaba (AC ). Imagem: Édison Caetano e Diego Gurgel

Coordenados pela arqueóloga Denise Schaan, um grupo de pesquisadores já identificou e catalogou a existência de 255 geoglifos na parte leste do Acre como decorrência de um esforço para fazer um amplo levantamento regional desses sítios arqueológicos. Os geoglifos são figuras formadas por valetas com largura média de 11 metros , tendo cada valeta de 1 a 4 metros de profundidade. A técnica construtiva inclui muretas de 6 a 8 metros com meio metro de altura. As figuram chegam a medir em média de 100 a 200 metros . Eles possuem, ainda, caminhos com 20 metros de largura.

Os geoglifos, que foram construídos entre os seçulos I e X, serviam para diversas funções: moradia e plantação (aldeias fortificadas) , encontros, festas, rituais. Estão localizados em áreas de interflúvio, entre os divisores de água dos rios Acre, Iquiri e Abunã. Essas imensas estruturas só se tornaram visíveis após o desmatamento da região e estão na forma de círculos, elipses, quadrados, retângulos, hexágonos, octógonos e meia lua, além de formas irregulares. Os geoglifos do Acre fizeram parte neste ano da lista indicativa do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) encaminhada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) recomendando que sejam avaliados para possível tombamento como patrimônio cultural da humanidade, a exemplo das Pirâmides do Egito, Muralhas da China e as Ruínas de Machu Picchu.


Os próximos passo dos pesquisadores será selecionar geoglifos para escavar, entender suas funções e estabelecer uma cronologia, realizar inventário de espécies vegetais que nasceram sobre os geoglifos, realizar estudos de solo (fertilidade, áreas de atividade) e estudar composição da flora na época da construção dos mesmos. As pesquisas têm sido intensificadas. Recentemente, por exemplo, foram descobertos diversos novos geoglifos no município de Acrelândia, onde predominam as figuras retangulares, acompanhadas, às vezes, de outras estruturas complexas. Na semana passada, durante um sobrevôo, foram feitas fotos inéditas de novos deles.






Geoglifo parcialmente coberto pela floresta. Imagem: Altino Machado








 


Entrevista – Denise Schaan, atual presidente da Sociedade Brasileira de Arqueologia, conversou com o Blog da Amazônia:


Arqueóloga Denise SchaaN,o que há de novo em relação aos geoglifos do Acre?
Temos 255 geoglifos e cada vez que a gente começa a explorar uma área diferente encontramos mais e mais. Eles não estão apenas nas áreas desmatadas, mas dentro da floresta também. É um trabalho que vai demandar muitos anos de estudos. Temos nos surpreendido com a complexidade de algumas estruturas que temos encontrado, com montículos e muretas lineares, que formam outros tipos de espaços, que levam para outros lugares. Não é apenas aquele geoglifo que nos induz a acredita que ali existiu uma aldeia, mas algo muito ampliado em termos de ocupação.

Você continua convencida de que os geoglifos questionam os estudos que concluem que a presença de populações primitivas na Amazônia era restrita às margens dos rios?
Sem dúvida. A gente tinha conhecimento da existência de valetas, de estruturas defensivas, no Alto Xingu. Nessas áreas de interflúvio para terra firme, que a gente achava que só havia povos nômades ou aldeias que estavam sempre mudando de lugar, temos visto indícios de estruturas mais permanentes cujo espaço foi ocupado por um grande número de pessoas por um longo período de tempo. Essa região do Acre merece um estudo especial porque está afastada do curso do Rio Amazonas, mais próxima dos Andes. Estamos num ambiente que está no caminho entre duas coisas. Povos andinos faziam trocas com povos da Amazônia. Esses geoglifos podem indicar um local de passagem que a gente ainda não conhece.

Esses povos poderiam ser aruaque?
A gente sabe, a partir de dados etno-históricos, que os aruaque se distribuíram, a partir das Antilhas, em toda a borda amazônica. Eles usavam essas aldeias mais ou menos circulares, grandes áreas de praças, com as casas em volta. Eles também têm o costume de fazer essas estruturas defensivas, tipo valetas, muretas e estradas. É muito provável que foram povos aruaque que habitaram os geoglifos.



Qual incógnita precisa se respondida em relação aos geoglifos?
O que acho mais intrigante até agora é o fato de termos encontrado indícios de moradia em alguns e em outros não. Parece que alguns foram construídos para utilização em um único evento. Que evento seria esse? Outra incógnita é saber qual era a vegetação nativa na época da construção dos geoglifos. Precisamos saber se era uma savana aberta ou se era uma floresta. Se era floresta, eles tiveram que destruí-la para construir essas estruturas. Temos encontrado cerâmicas e lâminas de machados de pedra. Os machados não são do Acre. Pedra é um material que existe em Rondônia, mas não no Acre. Podemos deduzir que são instrumentos de troca. Como se deslocavam de um local para outro tão longe? Certamente todos eles estavam em contato, do contrário não teria como se expandir toda essa mentalidade que está por trás dos geoglifos.

E a proteção desse patrimônio arqueológico?
Acho que deveria ser feita uma grande campanha para a proteção desses geoglifos. Não acho que se deva criminalizar a situação. A gente tem um evento de um geoglifo que visitamos em Acrelânida cuja maioria dele está dentro da mata. Quando o proprietário chegou naquela área, a floresta já estava desmatada, mas ele decidiu que não derrubaria o resto porque compreende que é importante para estudos. Sei que não vamos conseguir preservar todos, mas é importante campanhas de sensibilização nesse sentido.

Ramal Floresta, em Acrelândia. Imagem: Diego Gurgel





Cientistas encontram evidências de canibalismo em massa

Pesquisadores dizem que restos de 500 pessoas encontrados na Alemanha foram 'mastigados' e 'intencionalmente mutilados.'
Da BBC

Arqueólogos encontraram evidências de canibalismo em massa em um cemitério humano que data de sete mil anos atrás, no sudoeste da Alemanha, segundo a revista especializada "Antiquity". Os autores da pesquisa dizem que suas descobertas trazem indicações raras da prática de canibalismo na Europa no início do período Neolítico.

Cerca de 500 restos mortais que foram encontrados perto da vila de Herxheim podem pertencer a vítimas de canibalismo.

Os restos, que teriam sido "mutilados intencionalmente", incluem crianças e até fetos, segundo os pesquisadores.

O local foi escavado pela primeira vez em 1996, e explorado novamente entre 2005 e 2008.

O coordenador da pesquisa, Bruno Boulestin, da Universidade de Bourdeaux, na França, disse que ele e seus colegas encontraram evidências de que ossos humanos foram cortados e quebrados de propósito, uma indicação de canibalismo.

"Nós observamos padrões nos ossos de animais indicando que eles foram assados em um espeto", disse. "Nós vimos padrões iguais em ossos humanos (no local)."

Mas Boulestin reforçou que é difícil provar que esses ossos foram deliberadamente cozidos. Alguns cientistas rejeitam a teoria do canibalismo, dizendo que a remoção da carne poderia ser parte de rituais de enterro.

Mas Boulestin disse que os restos humanos encontrados na Alemanha foram "intencionalmente mutilados" e que há evidências de que muitos deles foram mastigados.

O início do período Neolítico foi quando a agricultura começou a se espalhar pela Europa central e a equipe acredita que o canibalismo no continente era uma ocorrência rara, provavelmente apenas durante períodos de fome extrema.

Novos fósseis revelam um mundo cheio de crocodilos

Espécies receberam apelidos como CrocJavali, CrocRato e CrocCão.
Eles viveram entre 145 a 65 milhões de anos atrás no que hoje é o Saara.
Do G1, com agências internacionais



Foto: AP Photo/National Geographic, Mike Hettwer

Crânio de nova espécie de crocodilo descoberta, batizada de DogCroc (CrocCão), viveu no deserto do Saara. (Foto: AP Photo/National Geographic, Mike Hettwer)

Novos fósseis escavados no que hoje é o deserto do Saara revelam um mundo outrora pantanoso dividido entre algumas espécies de crocodilos diferentes e talvez inteligentes, disseram pesquisadores nesta quinta-feira (19).

As novas espécies -- identificadas por apelidos: CrocJavali, CrocRato, CrocCão, CrocPato e CrocPanqueca -- podem ajudar a entender por que os crocodilianos foram e continuam sendo uma forma tão bem sucedida de vida.





  • Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar


Eles viveram durante o Cretáceo -- 145 a 65 milhões de anos atrás -- quando os continentes ainda estavam unidos e o mundo era mais quente e úmido que hoje.

"Ficamos surpresos por descobrir tantas espécies do mesmo tempo no mesmo lugar", disse o paleontólogo Hans Larsson, da Universidade McGill, de Montreal, que participou do estudo.

"Cada crocodilo aparentemente tinha dietas e comportamentos diferentes. Parece que eles dividiram o ecossistema, com cada espécie tirando proveito dele à sua própria maneira."

Com verba da "National Geographic", Larsson e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estudaram mandíbulas, dentes e os poucos ossos disponíveis dos animais. Também fizeram tomografias computadorizadas para olhar dentro dos crânios.

'Inteligência'
Duas das espécies -- o CrocCão e o CrocPato -- tinham cérebros diferentes dos crocodilos modernos. "Eles podiam ter uma função cerebral ligeiramente mais sofisticada do que os crocodilos (atualmente) vivos, porque a caça ativa sobre a terra habitualmente exige mais poder cerebral do que simplesmente esperar que a presa apareça", disse Larsson em nota.

O CrocRato, uma nova espécie formalmente chamada de Araripesuchus rattoides, foi encontrada no Marrocos e teria usado sua mandíbula inferior com dentes elevados para fuçar em busca de comida.

O CrocPanqueca, conhecido cientificamente como Laganosuchus thaumastos, tinha 6 metros de comprimento e uma cabeça comprida e chata.

O CrocPato representa novos fósseis achados no Níger de uma espécie previamente conhecida, chamada Anatosuchus minor. Tinha um focinho largo e provavelmente se alimentava de larvas e sapos.

O mais feroz era o CrocJavali, também com 6 metros, mas que corria em pé e tinha uma mandíbula preparada para esmagar, com três pares de dentes cortantes.


Alguns eram bípedes, com as pernas em baixo do corpo, em vez de serem rastejantes e terem as pernas ao lado do corpo


"Seus talentos anfíbios do passado podem ser a chave para entender como eles floresceram na era dos dinossauros e afinal sobreviveram a ela," escreveu Sereno em um artigo para a "National Geographic."

Peças históricas confirmam povoamento antes da fundação de São Vicente

Prefeitura e arqueólogos encontraram objetos que datam de 1516.
Primeira vila do Brasil foi fundada na cidade em 1532.
Juliana Cardilli Do G1, em São Paulo

 

Construções históricas descobertas serão abertas para o público (Foto: Márcio Pinheiro/PMSV)

A Prefeitura de São Vicente, no Litoral Sul de São Paulo, descobriu por meio de escavações no Centro da cidade construções e objetos arqueológicos datados entre 1516 e 1520, comprovando o povoamento do local antes da fundação oficial da primeira vila do país, em 1532. Os trabalhos começaram em setembro, e foram finalizados no fim de novembro. De acordo com a prefeitura, o sítio será aberto para a visitação do público, dentro da Casa Martim Afonso de Sousa, entre janeiro e fevereiro de 2010.

As escavações foram feitas no entorno de uma parede histórica que já estava parte à mostra no local. A base desta parede estava coberta, e a prefeitura fez um convênio com o Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas para fazer uma limpeza no local e encontrar a base.

“Já sabíamos que a parede era antiga, mas achamos ainda mais coisas. Encontramos um sambaqui, ocupação que data de 3 mil anos atrás, cerâmicas da cultura tupi acima deles e acima destas cerâmicas havia louças, objetos de ferro, vidro e bronze, utilitários usados no processo colonial”, explicou o arqueólogo Manoel Gonzalez, que participou dos trabalhos. 


Peças descobertas também ficarão expostas (Foto: Márcio Pinheiro/PMSV)

A base da parede e os objetos do período colonial foram datados como sendo de antes da fundação da cidade. O que não é uma novidade para os historiadores. “A história de que havia construções nesse local antes da chegada de Martim Afonso [um dos fundadores da vila] é muito antiga. Aparece em um texto de 1530 de Alonso de Santa Cruz, falando de dez a 12 casas de portugueses e uma construção para se proteger dos ataques dos índios”, explicou o historiador Marcos Braga, da Secretaria de Cultura de São Vicente.

A descoberta, entretanto, comprova pela primeira vez com material concreto essa informação. De acordo com o arqueólogo Gonzáles, a datação dos objetos históricos foi feita por meio de termoluminescência, técnica mais recente que usa raios luminosos para determinar a data do material.

No total, foram retiradas do sítio 883 peças arqueológicas, que serão expostas na Casa Martim Afonso de Sousa. Outros materiais foram deixados como parte do contexto do sítio, que será aberto para a visitação do público no início do próximo ano.

“A gente já sabia que a parte da parede que estava evidenciada não era de uma simples casa, mas de uma edificação maior. Agora, temos a confirmação do que já havia nos textos históricos, a confirmação da importância do local”, afirmou Braga. “Ainda devemos achar mais material no local. Esse é apenas o início do processo.” 

Descoberta a mais antiga caverna ocupada por seres humanos

Caverna era usada como habitação há 2 milhões de anos, de acordo com datação de artefatos achados no local.





Cientista trabalha na caverna sul-africana, em busca de vestígios de ocupação


Cientista trabalha na caverna sul-africana, em busca de vestígios de ocupação


SÃO PAULO - Uma equipe internacional de pesquisadores datou de 2 milhões de anos atrás uma série de artefatos encontrados na caverna Wonderwek, na África do Sul. Essa datação faz dos artefatos os mais antigos vestígios de ocupação de uma caverna por ancestrais do homem - no caso, o Homo habilis.

A caverna havia sido descoberta por fazendeiros em 1940. Peter Beaumont, do Museu McGregor - uma das instituições patrocinadoras do novo estudo - realizou escavações arqueológicas no local entre 1978 e 1993, recuperando um pequeno número de ferramentas de pedra.

Segundo a Universidade de Toronto, outra instituição envolvida na pesquisa, o conjunto de ferramentas encontrado indica a ocupação intencional da caverna por ancestrais humanos. As ferramentas de pedra mais antigas conhecidas foram descobertas na Etiópia e datam de 2,4 milhões de anos atrás.

Os cientistas tioveram que utilizar uma combinação de técnicas para datar o material encontrado na caverna, incluindo a comparação da orientação magnética das rochas com as mudanças conhecidas no campo magnético terrestre, e a datação pelo decaimento radioativo de componentes do material.

Para saber mais:
1 - Homo Habilis 1

2 - Homo Habilis 2

Flauta de 35 mil anos é o mais antigo instrumento musical
 
Objeto feito de osso de abutre foi achado na mesma caverna da mais antiga escultura do corpo humano
Associated Press

BERLIM - Uma flauta de osso de pássaro descoberta em uma caverna da Alemanha foi entalhada há cerca de 35 mil anos e é o mais antigo instrumento musical artesanal já descoberto, dizem arqueólogos, oferecendo a mais nova evidência de que as primeiras populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa.


Uma equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de Tübingen, montou a flauta  a partir de 12 fragmentos de osso de abutre, espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da Alemanha.

Juntas, as peças formam um instrumento musical de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de "V". Coranrd disse que a flauta tem 35 mil anos de idade.



A flauta entalhada em um osso de abutre, descoberta em caverna pré-história alemã. Divulgação


"É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o arqueólogo. A descoberta está descrita na edição desta semana da revista Nature.

Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard.

A arqueóloga especializada no período paleolítico April Nowell, da Universidade de Victoria, no Canadá, disse que a data da flauta é anterior à de outros instrumentos, "mas não tão mais antiga que chegue a ser surpreendente ou polêmico". Ela não tomou parte no trabalho de Conard.

A flauta de Hohle Fels é mais completa e um pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de sete outras flautas, também encontradas no sul da Alemanha e documentadas por Conard e colegas nos últimos anos.

Outra flauta, descoberta na Áustria, teria 19 mil anos, e um conjunto de 22 flautas encontradas nos Pirineus franceses foram datadas de 30 mil anos atrás.

A equipe de Conard escavou a flauta em setembro de 2008, o mesmo mês em que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.



A flauta, o mais antigo isntrumento musical artesanal, vista no solo da caverna. Divulgação


A escavação, no detalhe a fleca, os fragmentos das flautas de marfim


Juntas, flauta e estatueta - descobertas na mesma camada de sedimento - sugerem que seres humanos anatomicamente modernos haviam estabelecido uma cultura avançada na Europa há 35 mil anos, disse o arqueólogo Wil Roebroeks, da Universidade de Leiden, na Holanda, e que não tomou parte em nenhuma das duas descobertas.

Roebroeks disse que é difícil saber qual o grau de inteligência ou de desenvolvimento social desse povo. Mas os vestígios materiais que deixaram - escultura, instrumentos musicais, adornos - combinam com objetos associados ao comportamento dos seres humanos modernos.

"Isso mostra que, já no momento em que os humanos modernos entraram na Europa... em termos de cultura material, eram tão modernos quanto possível", disse ele.

Neandertais também viviam na Europa na época em que a flauta e a estatueta foram feitas, e frequentaram a caverna de Hohle Fels. Tanto Conard quanto Roebroeks acreditam, no entanto, que os depósitos de vestígios deixados por ambas as espécies, ao longo de milhares de anos, indicam que os artefatos foram criados por humanos.

"O registro material é tão completamente diferente do que aconteceu nas centenas de milhares de anos anteriores, com os neandertais", disse Roebroeks. "Eu apostaria que humanos modernos criaram e tocaram essas flautas".

Em 1995, o arqueólogo Ivan Turk encontrou um osso de urso em uma caverna da Eslovênia, e que ficou conhecido como a Flauta de Divje Babe. Turk datou o objeto de 43 mil anos atrás e sugeriu que fosse uma flauta usada por neandertais.

Mas outros arqueólogos puseram a hipótese em questão, sugerindo que os furos feitos no osso eram marcas dos dentes de um animal carnívoro.


foto após a escavação, com detalhe para os furos dos dedos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009









Os Primeiros Hominídeos Imigrantes





Em artigo no último dia 17 a revista "Science" publicou a rota dos hominídeos, que partindo da África começaram a se instalar em Israel 1,4 milhão de anos atrás. Para a hipótese mais aceita no mundo de hoje, conhecida como "out of África" (para fora da África, em inglês), os hominídeos originaram-se na África e, a partir dos últimos 2 milhões de anos iniciaram um processo de dispersão para o Oriente Médio, Ásia e Europa.



A matéria publicada pela revista, caracteriza uma fábrica de ferramentas encontrada por arqueólogos às margens de um lago seco em Israel. A fábrica era utilizada há 780 mil anos para produção de instrumentos feitos com o que havia de mais moderno em tecnologia de pedra lascada. A análise desses instrumentos pode ser útil para pesquisadores entenderem melhor as migrações dos ancestrais do homem para fora da África.




Escavações feitas por uma equipe da Universidade Hebraica de Jerusalém no sítio Gesher Benot Yaâ??aqov, norte de Israel, mostram que a região foi uma das rotas mais importantes desse grande êxodo. Foi também a que primeiro recebeu tecnologia de ponta da África. Através de uma datação magnética em vestígios encontrados no sítio, chegou-se a conclusão que a área é 280 mil anos mais antiga do que se pensava.

"O local é muito mais parecido com os sítios africanos do que com outros sítios arqueológicos mais antigos de Israel. Isso indica que a saída da África se deu em correntes sucessivas, que passaram pelos mesmos lugares", disse o arqueólogo Naama Gorem-Imbar, co-autor do estudo.
No sítio foram encontrados instrumentos de pedra que compunham a chamada indústria acheuleana, caracterizada por um dos estilos de artefatos mais avançados da pré-história. Um dos principais instrumentos dessa cultura é o machado de duas faces, que apareceu com o Homo erectus há 1,5 milhão de anos, na África.





 "É a primeira vez que esse estilo é encontrado fora do continente africano", disse Goren-Inbar, o que representa um salto tecnológico sem precedentes nas correntes de hominídeos que passaram pela região.
A revista também publicou que o resultado das escavações revelou aspectos do cotidiano, como o cardápio desses antigos hominídeos, que mostrava haver comida o ano inteiro, já que foram encontrados fósseis de uma centena de vegetais, destacando-se azeitonas, amêndoas, uvas e pistaches.





 Fonte : Historia Net - Aqui