Flauta de 35 mil anos é o mais antigo instrumento musical
Objeto feito de osso de abutre foi achado na mesma caverna da mais antiga escultura do corpo humano
Associated Press
BERLIM - Uma flauta de osso de pássaro
descoberta em uma caverna da Alemanha foi entalhada há cerca de 35 mil
anos e é o mais antigo instrumento musical artesanal já descoberto,
dizem arqueólogos, oferecendo a mais nova evidência de que as primeiras
populações humanas da Europa tinham uma cultura complexa e criativa.
Uma
equipe liderada pelo arqueólogo Nicholas Conard, da Universidade de
Tübingen, montou a flauta a partir de 12 fragmentos de osso de abutre,
espalhados por uma pequena área da caverna de Hohle Fels, no sul da
Alemanha.
Juntas, as peças formam um instrumento
musical de 22 centímetros com cinco furos e uma extremidade em forma de
"V". Coranrd disse que a flauta tem 35 mil anos de idade.
A flauta entalhada em um osso de abutre, descoberta em caverna pré-história alemã. Divulgação
"É, sem dúvida, o mais antigo instrumento musical do mundo", disse o
arqueólogo. A descoberta está descrita na edição desta semana da
revista Nature.
Outros arqueólogos concordaram com a avaliação de Conard.
A
arqueóloga especializada no período paleolítico April Nowell, da
Universidade de Victoria, no Canadá, disse que a data da flauta é
anterior à de outros instrumentos, "mas não tão mais antiga que chegue
a ser surpreendente ou polêmico". Ela não tomou parte no trabalho de
Conard.
A flauta de Hohle Fels é mais completa e um
pouco mais velha que fragmentos de osso e marfim de sete outras
flautas, também encontradas no sul da Alemanha e documentadas por
Conard e colegas nos últimos anos.
Outra flauta,
descoberta na Áustria, teria 19 mil anos, e um conjunto de 22 flautas
encontradas nos Pirineus franceses foram datadas de 30 mil anos atrás.
A
equipe de Conard escavou a flauta em setembro de 2008, o mesmo mês em
que descobriu seis fragmentos de marfim em Hohle Fels que compõem uma estatueta feminina que, acredita-se, é a mais antiga escultura de uma forma humana.
A flauta, o mais antigo isntrumento musical artesanal, vista no solo da caverna. Divulgação
A escavação, no detalhe a fleca, os fragmentos das flautas de marfim
Juntas, flauta e estatueta - descobertas na mesma camada de
sedimento - sugerem que seres humanos anatomicamente modernos haviam
estabelecido uma cultura avançada na Europa há 35 mil anos, disse o
arqueólogo Wil Roebroeks, da Universidade de Leiden, na Holanda, e que
não tomou parte em nenhuma das duas descobertas.
Roebroeks
disse que é difícil saber qual o grau de inteligência ou de
desenvolvimento social desse povo. Mas os vestígios materiais que
deixaram - escultura, instrumentos musicais, adornos - combinam com
objetos associados ao comportamento dos seres humanos modernos.
"Isso
mostra que, já no momento em que os humanos modernos entraram na
Europa... em termos de cultura material, eram tão modernos quanto
possível", disse ele.
Neandertais também viviam na
Europa na época em que a flauta e a estatueta foram feitas, e
frequentaram a caverna de Hohle Fels. Tanto Conard quanto Roebroeks
acreditam, no entanto, que os depósitos de vestígios deixados por ambas
as espécies, ao longo de milhares de anos, indicam que os artefatos
foram criados por humanos.
"O registro material é tão
completamente diferente do que aconteceu nas centenas de milhares de
anos anteriores, com os neandertais", disse Roebroeks. "Eu apostaria
que humanos modernos criaram e tocaram essas flautas".
Em
1995, o arqueólogo Ivan Turk encontrou um osso de urso em uma caverna
da Eslovênia, e que ficou conhecido como a Flauta de Divje Babe. Turk
datou o objeto de 43 mil anos atrás e sugeriu que fosse uma flauta
usada por neandertais.
Mas outros arqueólogos puseram
a hipótese em questão, sugerindo que os furos feitos no osso eram
marcas dos dentes de um animal carnívoro.
foto após a escavação, com detalhe para os furos dos dedos





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